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CAIM: "MATARAM ABEL!"


Por Baruc Martins - "Nunca na história desse país..", melhor não começar assim para não me acusarem de plágio.  Nunca na história de Poço Verde - agora sim! - ouviu-se tanto e soube-se nada. O diz-que-me-diz pelas mortes que estão acontecendo uma atrás da outra tomou proporções que precisam ser controladas. Frise-se que não só a boataria como também a onda de manifestos pró-chacina.
Vocês já devem estar sabendo da existência dessa tal lista de "marcados para morrer". Pois bem, esses sujeitos que fazem parte dessa lista e que são acusados - sim, pois não houve julgamento - de serem pessoas criminosas pelo senso comum estão recebendo por não-sei-quem o ultimato para supostamente saírem da cidade. Engraçado como as pessoas estão alegres com a notícia de que "bandido agora vai morrer". Engraçado como as suposições e teorias da conspiração recebem tão facilmente  o coro de uma multidão que nem se dá ao direito de analisar a boataria e perceber que nada do que está sendo dito tem fundamento. Devido a essa lacuna provocada pela especulação, a cultura do medo é disseminada tão rápida quanto "Luiza que está no Canadá".
Respeitabilíssimos senhores e senhoras, antes de me acusarem de utópico e de ser um garotinho juvenil que é criado a leite com pera, quero dizer a vocês que já fui assaltado cinco vezes. Sendo uma, inclusive, em Poço Verde. Não estou alheio à violência e muito menos às adversidades da vida. Como dizia o filósofo Chaves do Oito: "Sou pobre, mas sou honrado". A problemática da morte como solução para a insegurança pública pode ser revertida na própria moralidade cristã - e todos estão envoltos nisso por causa de nossa cultura. Por isso, você que for ateu pode ir calando a boca! - ao responder a seguinte pergunta: O que dá a alguém o direito de tirar a vida de outra pessoa? Aí, vocês diriam: "Ah, mas o cara era bandido". Aí, eu rebateria logo em seguida: "Sim, mas ele tem uma família e a sua vida, até onde eu saiba, é um direito inalienável de todo indivíduo. Pelo menos isso era o que você dizia quando argumentava ser contrário ao aborto."
Dando continuidade a minha chatice atual, ainda faço mais uma pergunta: de quem é a culpa? Vocês vão me perdoar, mas eu não vou responder essa. Vou apenas dizer que uma grande parcela é culpa nossa. Culpa de deixar que as coisas aconteçam embaixo de nosso nariz e não fazer nada; culpa de não denunciar um político corrupto porque é meu parente ou porque me levou ao médico; culpa por querer eximir-se da culpa e colocá-la nas instituições sociais - sobretudo a escola -; culpa por não cobrar das autoridades competentes; culpa de não se organizar e gastar saliva à toa; culpa por se achar um coitadinho quando na verdade é uma pessoa autossuficiente; culpa por ler demais e fazer de menos; culpa por ler de menos e fazer demais; culpa por insistir no erro; culpa por não querer errar; culpa por querer que todo mundo seja um santo; culpa por reconhecer que todo mundo é um demônio intratável; culpa por ter o poder e não usar e culpa por justificar o não-fazer por não ter o poder. Eis, com isso, uma das grandes verdades sobre nós: somos um monte de lixo que sequer sabe onde pôr a culpa. Por isso, abaixem o volume da TV e vão até a Praça do Triângulo perceber como anda o jogo de dominó.(Baruc Martins é estudante de Jornalismo da UFS - juventudeeloucrescida)
CAIM: "MATARAM ABEL!" Reviewed by Unknown on 06:52 Rating: 5

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